Sexta-feira, Novembro 13

Apolipolinesimulpolis!

Aquiles gostava de teatro... resolveu fazer teatro!
Lucíla gostava de arte...resolveu fazer teatro!
Pedro precisava de terapia... resolveu fazer teatro!
Os três moravam na cidade grega de Apolipolinesimulpolis!
Munidos de textos de Ésquilo, Sófocles e outros, chamaram seus amigos e começaram os ensaios.
Cada um tinha seu grupo.
O de Pedro chamava-se "os Sustados" fazia teatro absurdo.
O grupo de Aquiles, como não podia deixar de ser, adotou o nome de:
"O Teatro".
Lucíla era por demais anárquica... o grupo não tinha nome e logo ficou conhecido
como "Os sem-nome".
Apolipolinesimulpolis contava apenas com três casas de espetáculos.
Cada um montou sua peça, escolheu seu teatro e apresentou! Sucesso total!
Casas lotadas, público e crítica adoraram.
Zeus então resolveu promover um concurso para incentivar a produção.
Todo mundo achou ótimo. O concurso foi realizado. Aquiles, Lucíla e Pedro -estes dois tiveram alguma dificuldade com a documentação- se inscreveram. O sucesso dos três atraiu muita gente.
Heitor, Felipe, Medéia, Atenágoras, Clemente e Elektra tb se inscreveram. O concurso foi um sucesso. Agora tinhamos nove gregos apresentando suas peças nos três teatros.
Era um trava língua anunciado.
O sucesso despertou a inveja de alguns e a admiração de outros.
Novo concurso foi realizado... muito mais gente se inscreveu: Dioclesiano, Febe, Angelina Jolie, Carlos, Pietra, Clóvis, Pepino o breve, Getúlio, Damasceno, Diógenes, Lucrécia Borgia.
O concurso era um sucesso, atraia gente de todo lugar, de todos os tempos,
de todos os mundos. Era como se sabe o início da democracia grega
que surgiu em Apolipolinesimulpolis.
Alguns começaram a falar mal de Zeus, foram apelidados de"Os Céticos".
E assim o tempo foi passando...
Quatrocentos e setenta e cinco gregos se inscreveram no último concurso.
Era muita gente para ocupar os três teatros da cidade...
um deles por sinal, ficava constantemente fechado. Para reformas!
Alguma insatisfação começa a surgir...
Diógenes queria por que queria um novo teatro na periferia.
Os grupos brigavam pela pauta... a guerra do Peloponeso se anunciava.
A produção crescia, mil gregos faziam teatro em Apolipolinesimulpolis.
"Os Céticos" não acreditavam...
Tirésias achava que era preciso ampliar o espaço econômico.
Getúlio não fazia nem idéia do isto queria dizer.
Dioclesiano com seu "agitprop" malhava sem piedade
a inútil fundação criada por Zeus, "Os Olímpicos".
Mil gregos, três teatros, um concurso e os Troianos.
Tirésias e Diógenes fizeram um acordo.
Aquiles não se misturava.
Não havia espaço para apresentar (escoar) tanta produção.
Atenienses queriam o belo
Espartanos o útil
Tirésias era um cego!

Segunda-feira, Setembro 28

A CHAVE DA PORTA!

" Depois que todos os artistas pernambucanos virarem produtores culturais e
conseguirem lidar com toda a burocracia fundarpiana,
nós teremos então chegado ao paraíso.
Naquele dia que nunca chegou, pastarão biblicamente juntos o leão e o cordeiro.
As trombetas ou pífanos tocarão. Nos céus o clarão dos holofotes, iluminuras...
Cercado pelos seus anjos o deus-estado verá que tudo que fez era bombom!"

A profecia acima, foi desvendada dentro do Código da Vinci
e vem sendo verificada dentro dos nossos canaviais.
É cada vez maior a participação do estado na formulação de políticas culturais
em Pernambuco, chegando mesmo a direcionar a adaptação de projetos artisticos
que tentam se moldar as novas diretrizes supostamente originadas
nas conferências de cultura e afins.
Estas conferências merecem alguma investigação quanto
ao fetiche da participação do povo e quanto à validação democratica feita pela maioria
ou pela representação desta.
O papel do estado como criador da organização civil também não deve passar
em brancas nuvens quando formos avaliar o fenômeno.
Hoje, não tratarei destas coisas, quero apenas analisar brevemente qual o papel do
artista em uma sociedade cada vez mais burocrática.
Quem é o profeta hoje? O que sai de sua boca?
é possível imaginar que entre um currículo e outro, uma carta de anuência e outra
possamos criar uma arte verdaderamente pujante e questionadora?
Que energia mental vc tem para dedicar ao seu projeto
depois de fazer uns quatro projetos de funcultura?
No meio do processo, quantas vezes vc não amaldiçoou o momento
em que entrou nessa?
E quem já não quis se livrar de um projeto que amava no começo
e depois não via a hora de acabar?
Vamos lá... Mentiras sinceras me interessam.
Há um processo sistematico de institucionalização dos artistas.
Estes viraram clientes, fregueses ou coisa parecida. O cadastro de produtor cultural,
com a respectiva senha e seguindo
todos os decretos, portarias e comunicações é a chave.
Pedro nos aguarda com sua barba branca e gestual paterno.
Não tenha pressa... Há o purgatório antes.
Parece-me imcompatível com a liberdade criadora um amor tão grande e casto
pela burocracia.
O artista tem um outro papel, ou vários, e longe de mim querer esgotá-lo aqui,
mas também devo rejeitar um silencio obsequioso.
Desenha-se um cenário triste
de artistas domesticados, acostumados a adaptar suas criações a definições alheias...
Não bastasse a espúria contrapartida social!
A contrapartida social do artista é ele mesmo enquanto criador e sua obra!
Esta porém não pode ter fogo algum, ela não passa de pompa e palavras
vazias, quando bem comportada , adaptada e asumindo o cuidado de
diversas pessoas carentes que precisam da presença do estado.
Há uma clara transferência de responsabilidades.
Pois bem, depois que vc for produtor, assistente social, administrador público, vc
poderá até mesmo fazer um pouco de arte... um teatrinho manso!
O artista é a boca, são os olhos, o corpo de um mundo desperto.
Crir é seu modo de existir.
A dúvida, a tese, o insight, todas estas coisas tem amizade com ele.
É o artista que promove o som e a fúria da vida!
Sem uma arte pujante, resta-nos de um lado o terror e do outro o
banho-maria social.
Em nenhum lugar do mundo
tanta burocracia representou avanço ou controle
social e administrativo.
Não é por acaso que os países mais democráticos e transparentes
são os de menor burocracia.
Afogar os artistas em papeis e portarias, não garante, nunca garantiu,
a probidade do sistema.
Pode sim, domesticá-lo, coduzir sua mente, destruir seu espírito.
Não sou contra a participação do estado com suas institições,
mas devemos abrir os olhos... Há outras formas!
Não se trata de escolher uma pessoa dentro dos grupos para lidar
com a burocracia,
trata-se de erradicar um tumor, um mal que é sem dúvida
um dos principais obstáculos para a realização de uma democracia plena,
de um mundo melhor.
Espero que nosso futuro não venha a parafrasear o que já foi dito:

"Ai de ti Recife, que matas os profetas..."


eliasmouret

Domingo, Setembro 20

Hóspede da Trupe :: Val Lima

A Trupe de Copas recebe como Hóspede a fotógrafa Val Lima, que vem construindo um portfólio voltado para fotografias de espetáculos.

Para este post, realizamos uma seleção apenas com fotos de espetáculos teatrais locais, mostrando a crescente e madura produção das peças da cidade.

Quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho da fotógrafa é só acessar: www.flickr.com/val_lima

Boa visita!

* Clique na foto para vê-la maior.


Encruzilhada Hamlet | Cia. do Ator Nu


Ato | Grupo Magiluth


Thy Name | Semana Hermilo Borba Filho 2009


La fin de la faim | Loucas de Pedra Lilás


Algum amor por Eugênia | Aprendiz Encena 2008


Fio invisível da minha cabeça | Cia. do Ator Nu


Fio invisível da minha cabeça | Cia. do Ator Nu


A árvore de Júlia | de Lígia Falcão


Palhaço Jurema | de Carlos Carvalho


Corra | Grupo Magiluth


Rififi no Picadeiro | de Maria Clara Camarotti e Viviane Bezerra


Jandira | de Kleber Lourenço

Quinta-feira, Agosto 27

Sobre Arte e Economia ou Sobre Meninos e Lobos*

A arte tem alguma importância econômica?
É possível desenvolver uma economia da cultura por estas bandas?

A economia da cultura começa a ser estudada timidamente em nosso país e entre os diversos questionamentos que desperta esta o de definir com alguma clareza que tipo de atividade ela comporta. Há quem coloque como economia da cultura toda e qualquer atividade onde a criação intelectual esteja presente, sem necessariamente ser considerado artístico o produto daí resultante. Outros acreditam que só aquilo que convencionalmente chamamos arte, pertence realmente ao universo citado. E assim em alguns lugares é vista como economia da criatividade, em outros do intelecto, etc. São questões de definições que embora importantes, não apresentarei neste momento. Pretendo propor alguns questionamentos sobre a situação em nosso estado e iniciar um diálogo sobre o assunto.
Certamente o produto cultural não é uma mercadoria como qualquer outra, mas será que a relação de oferta e procura é muito diferente da coca-cola? O valor da obra cultural não é apenas monetário, porém é também desta espécie. Algumas pessoas detestam ver em uma discussão sobre bens culturais, termos como valor, mercadoria, produto, acham que isto ofende certa pureza original, um ‘valor’ intrínseco que a obra cultural carrega e que a mesma não deve se misturar com a baixeza econômica dos homens, com seu capitalismo sórdido. É como culpar o leiteiro pela falta do pão. Este tipo de raciocínio pode ser facilmente usado contra os artistas: Afinal, porque investir em cinema, teatro, música, se a escola é ruim e a saúde esta na UTI? Pensando assim podemos concluir que o investimento em cultura é um desperdício do dinheiro público, pois falta muito a ser feito em outras áreas. A questão é que da mesma maneira que não é o investimento em cultura que retira dinheiro de outras áreas, também não é a discussão econômica que retirará da cultura-arte, seu valor essencial. Não há uma relação de causalidade absoluta.
O valor essencial da cultura não se perde quando a mesma dialoga com preceitos da economia de mercado, ou outros modelos econômicos que se apresentem. A cultura tem sido usada para muitas coisas, inclusive para propagar e manter a influência de uma nação sobre outras. Não defendo bairrismos tolos ou imperialismos culturais, mas ingenuidade talvez seja ainda pior. Normalmente são os bem arranjados que querem que artistas e outros criadores vivam de maneira sofrida, mendigando patrocínio e morrendo poeticamente de tuberculose.
Pernambuco é visto como um lugar cheio de artistas. Aqui todo mundo é poeta, atriz, estilista, cineasta. Alguns já possuem um grupinho, ainda tímido, de admiradores que convivem etilicamente com os cáusticos, os insatisfeitos e os novos críticos. E pagar a conta da Celpe eles conseguem? É preciso refletir sobre que tipo de economia cultural queremos desenvolver no estado. Um modelo mais justo, com descentralização, boa remuneração e cadeias produtivas organizadas e fortes, ou um modelo canavieiro, com alguns usineiros culturais e uma massa que recebe salário mínimo? Acredito na primeira alternativa e penso que podemos realizá-la com reflexão e trabalho.
Este texto não tem a pretensão de apresentar fórmulas, alguns conceitos podem inclusive parecer vagos, temos muito que questionar. Como citei anteriormente, o que entra na economia da cultura? O designer, o software, a dança? Temos um cinema muito elogiado, e a distribuição? Quantos ingressos teríamos que vender para cobrir os custos de uma peça ou de uma exposição? Quanto cobraríamos? Sim, é preciso mergulhar na teoria econômica, entender as preferências do consumidor, pesquisar a capacidade econômica das comunidades, definir o papel do estado como indutor ou não da cultura como atividade econômica. O mesmo estado que durante séculos apoiou o setor canavieiro, setor que ocupou as melhores terras, pagou os piores salários e nos legou os maiores problemas sociais.
A cultura e a economia precisam fazer um diálogo de teorias, de números, de estatísticas. Em nossa busca teremos que descobrir qual ou quais os melhores modelos de organização para nós. Seremos todos, micro-empresas, abriremos associações, institutos? Devemos pensar na nossa organização jurídica, política, em como nos relacionaremos uns com os outros e com a sociedade. Algumas infantilidades, como briga de gerações, certamente só nos trarão prejuízos. Em compensação assessoria competente e dados atualizados sobre as cadeias produtivas podem nos ajudar bastante. Não devemos ter medo deste encontro, quem sabe não conseguimos transformar Pernambuco num estado conhecido por uma economia cultural pujante onde o barqueiro do Rio Capibaribe ancore a cabeça no porto digital.

Elias Mouret participa da Trupe de Copas é iluminador e diretor de teatro e eventualmente pode ser encontrado na rua da moeda ou no pagode do Didi.

* Texto publicado na Revista Eita!

Quarta-feira, Junho 17

O caso do Recife antigo

Não é de hoje que qualquer pessoa que frequente o bairro do Recife percebe o abandono no local. Lixo pelas ruas, prédios e casarões em situações lamentáveis, marquises desabando, flanelinhas se esfaqueando, uma poluição visual incrível, falta de segurança...
Neste bairro se encontram três dos principais teatros da cidade (Teatro Apolo, Hermilo e Armazém), diversos espaços culturais (Teatro mamulengo, Instituto Cultural Banco Real, Compassos, Canal das Artes) e constantemente é palco de grandes shows programados para a cidade. A matéria que segue abaixo, refere-se ao saque do prédio que abrigará o espaço cultural da Caixa no Recife com abertura prevista para 2010.
Impossível alguém que trabalhe com artes cênicas não sentir o esvaziamento do público. Você já andou a noite na rua do Apolo? Escuridão...
A iluminação pública: precária. A segurança próxima aos teatros e centros culturais: praticamente inexistente. Transporte público tele sena, de hora em hora.
Sim, estes também são motivos para que não consigamos lotar nossas casas de espetáculo.
Vá ao teatro! Teatro é ao vivo, vá ver! E todo mundo com medo... Inclusive nós artistas, e também os técnicos que trabalham nos espaços, saímos apressados após cada apresentação.
Mesmo lendo esta matéria estou certa que encontramos mais seguranças para cuidar do patrimônio do que de nós.
Dizendo o óbvio, uma política para a cultura não paliativa tem que considerar todos estes aspectos.
Abaixo segue a matéria.

Até!

Viviane Bezerra


Prédio secular é saqueado
Juliana Araújo

Antigo edifício da Bolsa de Valores, no Bairro do Recife, vem sendo destruído por vândalos, que furtam calhas de cobre para vender e comprar drogasUm dos maiores símbolos arquitetônicos do início do século 20, o Edifício Arnaldo Dubeux, em frente ao Marco Zero, no Bairro do Recife, onde antes funcionava a Bolsa de Valores de Pernambuco e da Paraíba foi comprado pela Caixa Econômica Federal por R$ 1,6 milhão, para receber um projeto cultural. Enquanto as obras não começam, o prédio está sendo destruído por vândalos, que entram e saem pela porta da frente sem nenhum receio, para furtar, principalmente, pedaços de cobre arrancados da calha. O material, segundo um vigilante, é vendido para comprar drogas. Na cobertura do prédio ao lado do Arnaldo Dubeux, a reportagem flagrou, ontem à tarde, duas mulheres quebrando com uma barra de ferro a estrutura de cimento que envolve a calha. A ação destruiu parte do telhado. Quase toda a calha foi arrancada. As duas mulheres chegaram ao local por volta das 13h e só saíram às 16h30. A dupla deixou o prédio tranquilamente pela Avenida Alfredo Lisboa com duas sacolas cheias do produto. Atravessaram a rua e andaram até a lateral do Terminal Marítimo do Recife, onde contaram o metal, a menos de 20 metros de um posto da Polícia Militar (PM). De acordo com o segurança, que preferiu manter sua identidade em sigilo, os saques ocorrem diariamente e não há nenhum segurança da Caixa Econômica Federal para conter a ação dos bandidos. “Eu fico triste porque é um patrimônio da cidade que vai se acabar sem ninguém fazer nada. Eles saem daqui como se estivessem levando coisas deles, sem medo nenhum”, afirmou. Na última quarta-feira, os tapumes colocados em maio deste ano, pela Caixa, foram roubados também à luz dia. “Pelo menos umas seis pessoas frequentam o prédio”, revelou o vigilante. Desde que foram informados sobre o roubo dos tapumes, que a princípio indicava o começo das obras do Caixa Cultural Recife, a Caixa garantiu que providenciou a troca de todos os cadeados existentes nos acessos à área interna do edifício, mas o portão da frente está arrombado. A Caixa Econômica afirmou que medidas de segurança serão tomadas para banir a ação dos bandidos. A assessoria da PM disse que cinco policiais e uma viatura realizam rondas em todo o Bairro do Recife, mas depois da denúncia ficarão mais atentos às investidas.

Fonte: Jornal do Commercio